Solidão

Ao longo dos meus dezoito anos de vida, não acho que tenha experienciado algo que doa tanto quanto a solidão. Talvez a morte, mas com o tempo a dor ameniza. A dor de se sentir só, no entanto, não funciona desse jeito.

Já faz uns três anos que meu ciclo de amizades é limitado. Durante toda minha vida nunca tive muitos amigos, e cada vez menos pessoas têm permanecido nela. E assistir amizades se desintegrarem na sua frente é uma dor aguda, contínua e crescente. Um a um meus amigos foram desistindo de mim. Até os que eu nunca pensei que fariam isso.

Há dois meses atrás eu escrevi que não acreditava que houvesse alguém que pudesse substituir você, mas hoje eu torço para que exista esse alguém, e eu quase procuro por ele. Eu sei que é errado se prender a uma pessoa só, e que rótulos geralmente estragam as coisas, mas eu queria ter alguém íntimo novamente, quase como um irmão. E se esse alguém não pode ser você, então eu espero que possa ser outra pessoa. Eu só não quero me sentir sozinha desse jeito.

Solidão dói. Não ter mais você dói.

Viver sem amizade dói como o inferno para mim.

Chega.

Você pega seu celular, tem uma ligação perdida, da pessoa que você não fala há um mês. Você fica esperançosa e radiante, e passa o dia todo esperando ela retornar. Ela retorna. Menos de dois minutos de conversa finalizados pelo telefone sendo desligado na sua cara.

Seu mundo para, por um segundo você não entende como a pessoa que até o seu aniversário era sua melhor amiga pode falar aquelas coisas. E então a ficha cai, e você desmorona.

Três novos cortes. No dia anterior você releu um trecho de uma carta que dizia “Não se esqueça que todos os vícios fazem mal, e não sei se você já parou com isso, mas senão, por mim, pare de se cortar”. Foda-se.

Esse não é meu estilo de escrita, isso não é um texto que eu acharia digno de receber um like ou um comentário. Estou sendo extremamente breve e minhas palavras estão recheadas de mágoa, raiva e dor.

Eu acredito que não importa o quanto você ame alguém, você não deve deixar que isso faça com que você deixe de se amar ou de se dar valor. E eu SEI que não mereço ser tratada da forma que fui tratada hoje.

Eu não sei bem por que o título desse post é chega, acho que é porque é isso que eu queria falar para mim mesma: chega. Chega de insistir numa pessoa que não dá o mínimo para você, chega de se menosprezar por causa de uma pessoa, foda-se que era sua melhor amiga, nem sua mãe tem o direito de te tratar assim. Chega de chorar que nem idiota, contendo todos os dias a vontade de ligar, escrever, mandar e-mail, enquanto a outra pessoa só liga para te cobrar, não porque sente sua falta. Não porque dá alguma merda de valor pra sua amizade.

Chega de ser babaca, Isabelle. Chega.

Notas.

Pessoas mudam, pensamentos mudam. A gente nunca ama duas vezes da mesma forma, cada amor é um aprendizado. Eu acredito que a gente evolui através do amor.

Para sempre nada mais é do que invenção ilusionista dos contos de fadas. A gente não vive duas vezes e por isso temos que viver o agora intensamente, para quando a nossa hora chegar partirmos sem contas para acertar com a vida.

Pode parecer que tudo que eu estou falando é besteira, clichê, mas eu venho pensando em tudo que aconteceu na minha vida até hoje. Eu penso no meu futuro, e no meu medo de envelhecer sem ter vivido nada.

Talvez tudo que eu precise é me desapegar da infelicidade e viver o agora, aproveitar minha juventude enquanto há tempo… não quero ser uma adulta infeliz.

Distância

Eu não sei se te perdi, mas também não quero saber de verdade. O que eu sei é que eu sinto que te perdi, e isso basta para que eu me sinta a pessoa mais insignificante do mundo.

Já faz quanto tempo, um mês, dois meses que estamos assim? Quanto tempo faz desde a última vez que você pensou em mim? Eu penso em você o tempo todo, e parte de mim morre todo dia ao saber que não tenho mais você no meu cotidiano.

Por que você está tão distante de mim? Essa distância dói muito mais do que os dois mil quilômetros e cacetada que nos separaram por três anos. Mas agora você está aqui, na mesma cidade que eu, e não dá a mínima se estou ou não viva. Por que você faz isso comigo? Você pode rebater dizendo que eu não te procuro também, mas a verdade é que eu tenho medo. Eu tenho medo porque eu nunca pensei que chegaríamos a uma situação tão crítica. Nunca imaginei que seria menos do que sua melhor amiga, e veja só, parece que nem sua amiga mais eu sou…

Eu não quero fazer drama, não quero jogar a culpa em ninguém, eu só quero entender o porquê das coisas estarem assim, quero voltar no tempo e ver o momento exato em que a nossa amizade começou a desabar. Eu quero consertar as coisas entre nós, mas eu sinto medo. Então eu só fico na minha, sofrendo em silêncio, esperando para que um dia você sinta a minha falta tanto quanto eu sinto a sua.

Mas já se passaram quase dois meses, e eu fico me perguntando quanto tempo vai demorar para você sentir minha falta. E às vezes minha mente vai além e me traz a seguinte pergunta: e se você nunca sentir?

…e que chamem de devaneio, delírio, o que for.

Queria que tu estivesse aqui cuidando de mim. Fazendo-me carinho, me forçando a tomar aquele remédio que tem gosto horrível, depois deitando-se na cama comigo e tomando-me pela mão. Beijando-me a testa. Cuidando da minha saúde e do meu coração.

 Queria poder atribuir esses desejos incessantes à minha carência, ou à minha indisposição no dia de hoje, mas a verdade é que vivo fantasiando uma vida toda com você. Às vezes nos imagino em uma casa onde não houvesse nada além de um colchão, uma geladeira e o nosso amor. E que essa simplicidade exacerbada não me importaria, porque quando se tem amor, se tem tudo. E porque seu amor é tudo que me importa neste momento.

“Porque amor é tudo o que eu tenho.”*

*What You Give, You Get Back – Scorpions

Gelo

O que antes era fogo,
Lentamente se torna gelo.
Onde reinava a alegria,
Hoje reina o desespero.

É ter muitas perguntas sem respostas
Nenhuma resposta para esse problema.
É acordar todos os dias
E viver o mesmo dilema.

O que antes era forte,
Dilacera-se a cada dia.
Onde havia felicidade,
Hoje há agonia.

É ter medo do fim
É tentar, em prantos, fazer poesia
É viver a realidade
Desejando, em vão, que fosse fantasia…

Mas é real, é frio,
Dilacera, e dá medo.
Por que nossa história, que parecia tão bonita,
Hoje tem um novo enredo?

Primeiro de Abril

Eu não sinto a sua falta. Sua ausência não me dói a cada vez que eu respiro. Eu não choro todas as noites e eu também não me lamento por todos os planos perdidos. Fico bem com a ideia de que você não vai ser a madrinha dos meus filhos, e que não vamos tomar um drink na sexta-feira após o trabalho quando tivermos nossos 30 anos. Tenho certeza que vou achar alguém que te substitua; aliás, até acredito que exista esse alguém. Nossas lembranças não me perseguem e não têm significado algum para mim; elas estão no passado. Eu aceito que nossa amizade, que eu sempre pensei que seria para sempre, se desintegrou. Não me decepciona nem um pouco o fato de que passei três anos sofrendo por você estar longe, para você voltar e substituir a distância física pela sentimental. Estou feliz e satisfeita com a vida, e não me sinto incompleta.

Você não me faz falta, e eu sei viver sem você.

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